Parlamentares e movimentos sociais defendem continuidade de cotas nas
universidades
Estudantes indígenas defenderam
a manutenção das cotas nas universidades
Parlamentares
e representantes de movimentos negros e indígenas defenderam, nesta sexta-feira
(8), a manutenção da Lei de Cotas nas Universidades, em vigor desde
2012. Defenderam também ações voltadas à permanência no ensino superior de
estudantes pretos, pardos, indígenas, de pessoas com deficiência e ainda
daqueles que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas.
Uma
videoconferência promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da
Câmara dos Deputados discutiu a possibilidade de transferir de 2022 para 2042 a
revisão do programa especial para o acesso deste público às instituições
federais de educação superior, detalhado na Lei de Cotas. O adiamento está
previsto no Projeto de Lei 1788/21, do deputado Bira
do Pindaré (PSB-MA).
Para
prorrogar a revisão, Bira do Pindaré argumenta que a lei ainda não produziu
todos os seus efeitos e que o atual momento de avanço do conservadorismo não é
propício a uma revisão das cotas.
“Vamos
garantir que esse assunto seja pautado o quanto antes. Espero que a gente possa
pautar em novembro. Vamos fazer um esforço, conversar com o presidente [da
Câmara] Arthur Lira, com a [[g Mesa Diretora]], articular com os nossos
líderes. Precisamos decidir logo. Ano que vem é ano eleitoral. Se a gente
conseguisse antecipar essa decisão, seria um ganho muito grande. Essa política
precisa continuar”, defendeu o parlamentar.
A proposta
de Bira do Pindaré tramita na Câmara, em caráter conclusivo, e já foi
aprovada pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas
com Deficiência. No colegiado, o relator, deputado Fábio
Trad (PSD-MS), recomendou o adiamento da revisão para 2032, ou seja,
por dez anos.
Cleia Viana/Câmara dos
Deputados
Vivi Reis também defendeu uma
política de assistência estudantil aos cotistas
O texto
está agora em análise na Comissão de Direitos Humanos, onde tem a deputada Vivi
Reis (Psol-PA) como relatora. Em seguida, será analisada pelas
comissões de Educação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Na
audiência desta sexta, também Vivi Reis defendeu a existência no País de uma
universidade plural. “Uma universidade em que possa estudar também a filha da
trabalhadora doméstica, como eu, a filha da lavadeira, a filha do pedreiro, o
filho da manicure, jovens indígenas, quilombolas, periféricos, pessoas
trabalhadoras, mães solo”, listou.
A deputada
defende ainda uma política de assistência estudantil, com garantia de
restaurante universitário, moradia estudantil e transporte, a fim de permitir a
permanência dos estudantes de baixa renda nas universidades.
Sem prazo
de vigência
Como observou a coordenadora de Políticas Etnorraciais da Defensoria Pública da
União, Rita de Oliveira, a Lei de Cotas não possui previsão de encerramento de
vigência, mas apenas de revisão do programa pelo governo federal, que serviria
para pensar ajustes à política.
“Há um
problema em relação a isso. Os órgãos responsáveis pela avaliação da política,
pelos dados que já levantamos, não cumpriram esse papel. Não foram
desenvolvidas de forma suficiente ferramentas de avaliação”, afirmou Rita de
Oliveira. “Se as etapas iniciais não foram cumpridas, não podemos ter essa
revisão como etapa final do processo de avaliação em dez anos [2022].”
Na opinião
da defensora pública, qualquer alteração na Lei de Cotas deve ser feita de
forma a torná-la mais efetiva, dentro da perspectiva de continuidade.
Também
para a coordenadora do Núcleo de Acompanhamento de Políticas Públicas sobre
Igualdade Racial da Fundação Perseu Abramo, ex-ministra Nilma Lino Gomes, a
avaliação da lei só pode ter um eixo: o da continuidade. “Avaliação não implica
descontinuidade”, ressaltou.
Ainda
segundo a ex-ministra, a lei vigente comprova que as instituições públicas têm
condições de implementar políticas públicas em escala.
Cleia Viana/Câmara dos
Deputados
Bruna Brelaz:
"É preciso garantir que o povo brasileiro esteja dentro dessa
universidade"
A
tesoureira da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz, acrescentou
que a garantia de participação de pessoas negras, indígenas e de baixa renda no
ensino superior permite com que esses estudantes passem a pensar a
universidade. “Se concordamos que a universidade é um dos pilares de pensamento
da construção de um novo país, é preciso garantir que o povo brasileiro esteja
dentro dessa universidade”, defendeu.
Também
participaram do debate os deputados Orlando
Silva (PCdoB-SP) e Fernanda
Melchionna (Psol-RS), além de outros representantes de movimentos
sociais.
Pós-graduação
Na Câmara, tramita ainda proposta que cria cotas para acesso de pessoas negras,
indígenas, oriundas de comunidade quilombola, com deficiência ou transexuais às
vagas de pós-graduação nas universidades brasileiras.
O objetivo
é que se formem comunidades científicas e corpos docentes que reflitam a
realidade da população brasileira.
A medida
constitui o teor do substitutivo
apresentado pela deputada Natália Bonavides (PT-RN) ao Projeto de Lei 3402/20, da deputada Marília
Arraes (PT-PE) e outros parlamentares.
Reportagem
– Noéli Nobre
Edição – Roberto Seabra
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